sexta-feira, 25 de maio de 2018

Dois anos depois...(como nos filmes)

E dois anos depois, regresso...pelo menos por hoje!

Estive tanto tempo ausente que quase já nem sei trabalhar com isto :).

Aproveitei para ler algumas coisas que escrevi e é engraçado olhar para a data e saber exactamente como estava naquele dia.

A minha vida mudou tanto, mas tanto nestes últimos dois anos que ao ler algumas das linhas que escrevi quase que não me reconheci...é verdade!

O motivo da minha ausência deveu-se a uma depressão/esgotamento que sofri e me obrigou a repensar tudo! Foi, e continua a ser, um dos períodos mais difíceis da minha vida e olhem que a minha vida está cheia de períodos difíceis, não falta escolha :)

Vi-me numa situação para a qual não estava preparada (e logo eu que estava sempre em alerta vermelho, pronta para tudo). Ver o tapete a ser puxado debaixo dos meus pés sem que nada pudesse fazer (ou ter forças) para impedir foi algo que me deixou devastada...comigo mesma!
Demorei algum tempo até aceitar que afinal não era aquela força que sempre fui e que, principalmente, sempre habitou os outros. Eu era o porto de abrigo de todos, a resposta para os problemas dos outros, aquela que estava sempre lá e sentia-me feliz por saber que pude contribuir de forma positiva na vida dos outros...o problema é que não cuidava de mim com a mesma atenção com que cuidava dos outros. Não me "via", aliás, evitava "ver-me" porque no fundo sabia que era uma tarefa para a qual não estava preparada portanto mais valia fazer de conta que estava tudo bem.

E resultou durante muitos e muitos anos, fui (ainda sou) muito boa a camuflar os meus sentimentos, tive performances dignas de Óscar para "Melhor performance de alguém completamente destruído por dentro mas que miraculosamente consegue sorrir e acenar". Os meus sempre se habituaram a ver-me sempre com genica, a estar em todas e por todos e não queria desaponta-los. Incrível como aquilo que os outros pensam têm, realmente, um impacto brutal nas nossas vidas, aos ponto de nos anular-mos para corresponder as suas expectativas.

Mesmo sabendo que estava a cair dentro de mim mesma, consegui esconder de todos...e que duro foi! Tinha dias que me doía o corpo todo de tanta força que fazia para me conseguir manter de pé, deixei de dormir, deixei de comer...deixei de ter vontade de viver (nunca pensei em morrer mas só não tinha forças para lidar com a vida e tudo o que ela implicava)! Era uma sombra sem luz...conseguir ver o relevo dos ossos na minha pele sem vida era devastador.. descobri que a magreza doí...acreditem que doí!

A minha mãe era a única a ver-me mas eu não deixava ninguém se aproximar, genuinamente achei que era só uma fase menos boa e que ia dar a volta rapidamente, como sempre dei (achava eu)...não deve haver dor maior para uma mãe do que ver o seu filho a perder-se sem que deixe que o guiem.

Até que um dia, caí mesmo, redonda! Aí tive de deixar que, pela primeira vez, fossem outros a aparar-me. E descobri que não tem mal entregar as armar para que outros lutem por ti. E aí é que descobres quem verdadeiramente se importa e te valoriza e fui confrontada com a dura realidade que afinal não são assim tantos quantos pensavas, afinal já não tinhas utilidade naquele estado...é duro, mas é a verdade que senti!

Este meu estado deveu-se a acumular dentro de mim anos e anos de duras vivências e provações mal resolvidas, primeiro porque não havia tempo pois tínhamos forçadamente seguir para a frente, tínhamos mesmo lutar para conseguirmos manter o pouco que tínhamos e as poucas forças eram usadas só para isso, não tínhamos tempo para sentar um pouco e pensar no tinha acabado de acontecer...não dava. E depois com o passar do tempo fui achando que não fazia sentido estar a reviver o passado, era demasiado doloroso e simplesmente fui usando o meu sentido de humor para disfarçar a minha tristeza e afundei de cabeça na minha vida profissional para não ter tempo livre, para não correr o risco de estar sozinha e todos esses pensamento tomarem conta de mim. Só agora é que tive consciência desse luta interna que travei.

Foi o meu maior erro...ao fim de tantos anos o meu corpo não aguentou e cedeu! Isto foi há dois anos...e ainda estou em fase de recuperação e sei que nunca se estará recuperado totalmente, é uma luta constante, mas não faz mal....

Quando me perguntam o que é que sentia...a melhor forma que consegui arranjar para descrever foi pedir que imaginassem que se estão a afogar e por muito que lutassem simplesmente não conseguiam vir à tona, que imaginassem o que é viver assim todos os dias...não sei se me compreenderam...até porque também descobri que as depressões/esgotamentos são ainda olhadas de lado pela sociedade. Muitos acham que basta dizerem "Tens de andar para a frente!" ou " Não penses nisso! Arrebita" que é o suficiente e que depois de ouvir tais pérolas simplesmente ficamos curados, qual nossa senhora de Fátima qual quê! Mas não é assim que funciona...

Sofri (e sofro) muito mas aprendi muito mais, sobre a vida, sobre os outros mas principalmente sobre mim e estou a adorar conhecer-me, a estar comigo!

As vezes chegar ao fundo do poço tem a sua parte boa...qual é? É que daí só se saí subindo :) 

Aos que me lêem, só vos deixo isto: Não tenham medo do que sentem, não tenham medo de dizer o que pensam ou o que sentem, de sofrer, de amar, de se desiludir, tudo faz parte da vida, mas sobretudo não deixem que sejam os outros a fazerem as escolhas para a vossa vida...não se deixem aprisionar neste mundo onde ser-se insensível começa a ser norma. Mas sobretudo, não tenham medo de pedir ajuda...so  fraqueija quem foi forte por demasiado tempo.

Provavelmente este texto não estará muito coerente mas o meu coração está em cada palavra.

Sejam felizes!

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