É nesta altura do ano que começamos a
olhar para o nosso corpinho com outros olhos: os mais críticos. Durante o
inverno nem nos preocupamos muito com ele porque conseguimos camuflar tudo
debaixo de 17 camadas de roupa e atribuímos culpa a essas camadas pelo facto de
parecemos mais balofitas. Mas a medida que a temperatura vai aumentado, as
camadas de roupa vão diminuindo e o verão aproximando, começamos a ver os
defeitos todos e a culpabilizar-nos por termos preferido o sofá a uma caminhada
mesmo que debaixo de uma tempestade com ventos a 90km/h.
Pois que eu fiz parte desse grupo,
daquelas que nos meses frios abraça pacotes de batatas fritas aos domingos à
tarde; molha bolachinhas híper calóricas no leite ou no chazinho; come uma francesinha
com batatas fritas sem pensar duas vezes e depois chega a Março, olho para o
espelho e só me dá vontade de chicotear-me. Pareço o corredor das sobremesas do
pingo doce, é gelatina de casca de laranja na coxas e rabiosque, soufflé na
barriga e a já para não falar do tom de pele queijo cabra esbranquiçado...e
mesmo que os outros digam que lá estou a exagerar, que nós mulheres, temos um
amplificador de defeitos instalado nos olhinhos (90% dos casos é verdade), não
acreditamos, aos nossos olhos estamos umas Fionas.
Depois vamos tentar recuperar o perdido,
com caminhadas; corridas; abdominais; agachamentos, pranchas de surf e o carago
todas vermelhas a suar em bica e nisto, passam aquelas tipas na casa dos vinte e poucos super saradas com
aqueles equipamentos super justinhos, mamas arrebitadas e com aquele ar de
"eu é que sou boa!", olham para nós com aquele ar de
olha-para-aquelas-tipas-a-quererem-um-corpinho-como-o-nosso-já-vão-tarde-bitches,
e aí, mentalmente, mandamo-las para a fuck main street.
(imagem da internet)